terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Viciados em falar


Bérnard Pottier frisou algures que o diálogo não serve apenas para unir, mas também para agredir e mentir (que, aliás, é a forma mais indigna de agressão). Há ainda outra outra faceta dos maus efeitos do ato verbal: o discurso como ruído. Papaguear, encher chouriços, meter palha é verdadeiramente o anti-discurso, a negação da comunicação e do esclarecimento.
Há várias maneiras de pôr o rei nu:
• uma delas é interpelarmos o palestrante: «Importa-se de ir direito à questão?»;
• outra é parodiar um exemplar de discurso-fátuo, como faz Sérgio Godinho em "Caso Fatal";
• outra ainda é ainda explorar-lhe as características, como se faz no quadro abaixo.
Em jeito de texto instrucional, dir-se-á, então, que a verborrágica criatura pode combinar qualquer célula de qualquer coluna do quadro abaixo que obterá sempre o pretendido: ouvir-se falar.


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